Calixto fecha prefeitura e postos de saúde devido a caos deixado por Dr Gilberto

72,7% dos funcionários da prefeitura foram demitidos. A prefeitura fecha as portas por 22 dias.
De: UOL Cidades

Prefeito de Santa Luzia (MG), Carlos Calixto (PSB), durante entrevista em seu gabinete
Prefeito de Santa Luzia (MG), Carlos Calixto (PSB),
durante entrevista em seu gabinete
A Prefeitura de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte,
fechou suas portas e só reabre para atendimento ao público na
segunda-feira (21). Inclusive, os serviços de saúde do município de 207
mil habitantes foram suspensos.
“Só algum serviço mais emergencial, como um pedido de certidão negativa
[CND, Certidão Negativa de Débito] para alguma empresa que ganhou
alguma concorrência, vai ser atendido. O resto está tudo parado”,
afirmou, nesta sexta-feira (4), o prefeito de Santa Luzia, Carlos
Calixto (PSB).
Calixto, logo após a posse na terça-feira (1º), assinou decreto
exonerando 1.901 funcionários (1.700 contratados e 201 em cargos de
confiança) e determinou a suspensão dos serviços externos e de
atendimento ao público.
“Estão funcionando sete unidades de saúde para atendimento emergencial,
os outros postos tivemos de fechar também, mas vai dar para atender a
população”, disse Calixto.
Ele afirmou que, dos 22 postos de saúde do município, dois na região do
Distrito São Benedito, que abriga uma população de 130 mil pessoas, e
mais dois da região central da cidade, atenderão as emergências. “Também
foram mantidos o funcionamento de duas unidades de pronto atendimento e
o centro de saúde mental, que tem internos”, disse o prefeito.
Calixto afirmou que não teve alternativa. “É radical, mas não tive outra saída. Precisamos estruturar a prefeitura.”
Ele disse que a administração de Santa Luzia tinha 5.500 funcionários,
entre contratados e comissionados. Entre as eleições em outubro e sua
posse, foram demitidos cerca de 2.000 funcionários, pelo ex-prefeito
Gilberto Dorneles (PMDB).
“Somadas às demissões que fiz, o quadro de pessoal da prefeitura passou
de 5.500 para 1.500 funcionários”, afirmou. Uma redução de 72,7% no
pessoal.
O prefeito afirmou também que, pelo que apurou nos últimos quatro dias,
fechado em seu gabinete com quatro assessores, que ainda não foram
nomeados, e alguns funcionários de carreira do município que lhes
transmitem os dados, encontrou dívidas de R$ 155 milhões. “Por enquanto,
ainda não vi tudo.”
São R$ 101 milhões de dívidas com o INSS, R$ 44 milhões com
fornecedores e R$ 10 milhões da folha salarial de dezembro da
prefeitura, que não foi paga. O município, estima Calixto, deve receber,
neste mês, algo em torno de R$ 20 milhões de repasses do Estado e da
União.
“A maior parte verba carimbada (rubricada, ou seja, que já tem destino definido na aplicação)”.
“Não tenho nem coragem de mandar as guias do IPTU (Imposto Predial e
Territorial Urbano). Quem vai pagar?”, indagou Calixto. O prefeito
afirmou que, historicamente, o município enfrenta uma inadimplência de
65% no pagamento do IPTU. “Nessas épocas, como agora, quando os serviços
não funcionam, a inadimplência chega a 80%, 90%”.
Terceiro mandato 
Calixto é um administrador experimentado e empresário bem sucedido. Foi
prefeito de Santa Luzia por duas vezes. Entre 1997 e 2000, pelo PFL. E,
entre 2000 e 2004, pelo DEM.
Calixto não informou quanto fatura nas empresas que possui. Com 67
anos, Calixto é empresário há 44 anos. Além de investimentos em
distribuidoras de bebidas e corretoras de imóveis, ele é proprietário da
Serta, indústria de transformadores de eletricidade, em Santa Luzia, e
do Mega Space –o maior centro de eventos de Minas Gerais e um dos
maiores do país, com um milhão de metros quadrados de área, também em
Santa Luzia.
O empreendimento possui espaço para espetáculos com capacidade para 200
mil pessoas, áreas para feiras e exposições, além de autódromo que
recebe competições nacionais e internacionais de automobilismo e de
motocicletas. A holding de Calixto tem 210 empregados.