A cidade parou por ela

Bicampeã olímpica de vôlei Fabiana é recebida com festa em Santa Luzia, num reencontro emocionado com o lugar que a acolheu. Ela caiu no choro entre amigos, família e fãs

De: Superesportes Esportes

A bordo do clássico caminhão American la France 1959 do Corpo de
Bombeiros, na companhia do pai, Vital Alberto Claudino, 66, e do noivo,
Victor Braz, de 27, a bicampeã olímpica de vôlei Fabiana Claudino viveu
nessa quinta-feira duas horas e meia de fortes emoções. Uma das
representantes mais ilustres de Santa Luzia (Região Metropolitana de
Belo Horizonte), ela voltou a parar as ruas da cidade. Melhor
bloqueadora da Seleção Brasileira durante os Jogos Olímpicos, a capitã e
meio de rede foi protagonista, na terra em que cresceu (nasceu em BH),
de uma grande festa marcada por uma carreata para celebrar a conquista
do ouro em Londres – o primeiro, em Pequim’2008, foi igualmente
comemorado no município de 320 anos. Desta vez, contudo, o gostinho teve
toques mais especiais: com a nova medalha nas mãos, a jovem jogadora de
27 anos encheu os corações dos luzienses de orgulho. E patriotismo.

Vibrando,
chorando e relembrando o tempo em que deixou a cidade para ir jogar no
Minas, aos 14 anos, a atleta – que está de mudança para o Sesi-SP –
ressaltou a importância da formação no município, ao destacar o convívio
familiar. “Quando saí daqui, as coisas não foram fáceis. Agora, retorno
bicampeã. É uma emoção muito grande, não tem nada igual. Por tudo o que
passei, ficando longe da minha família seis meses na Turquia, foi
difícil. Estou muito feliz”, comemorou. Ela vinha atuando pelo
Fenerbahce.

Quando criança, ela sonhava ser modelo. Um convite
para teste no vôlei mudou por inteiro seus planos. “Quando me chamaram,
comecei a gostar. E acabei ganhando carinho pelo esporte”, contou. Todo
esse apego é confirmado por Francisca Nonato Claudino, de 61 anos. Tia
de Fabiana, a aposentada relembra os tempos de menina da atleta, quando o
namoro com o esporte começou a se desenvolver. “A paixão começou muito
rápido. Toda semana, a mãe dela a levava ao Minas pelo menos uma vez
para treinar. A partir daí, o desempenho dela engrenou. É um orgulho sem
explicação estar com ela aqui hoje. Não tenho nem palavras. Um ouro é
bom, dois é demais”, brincou dona Francisca.

Noivo de Fabiana há
dois meses – eles estão juntos há oito –, o também jogador Igor Braz
reforça o coro coruja. Para o oposto, ex-Minas, que está sem clube, a
medalha é resultado de um longo esforço. “Fico muito feliz pela Fabiana,
porque vi tudo o que ela passou. Dos maus resultados à volta por cima. O
ouro é a perfeição máxima, o que todo atleta almeja. Ela está vivendo
um sonho”, elogiou.

HOMENAGENS A cada rua, todos
os olhares se voltavam para o mais novo motivo de orgulho dos
luzienses. De câmeras nas mãos, faixas e bandeiras empunhadas, foram
muitos os moradores que fizeram uma breve pausa para parabenizar a
bicampeã olímpica. A educadora Ana Carolina, de 30 anos, foi uma destas
pessoas. Colega de ex-professores da atleta e amiga dos pais de Fabiana,
ela elogiou o empenho da mineira e do grupo na Olimpíada. “Foram todas
determinadas, se empenharam muito e fizeram por merecer a vitória. São
pessoas que sempre merecerão nossa admiração”, reconheceu, entre tantos
luzienses que reservaram parte do dia para participar da festa.

ZÉ ROBERTO FICA
Acabou
o mistério. Depois de afirmar não saber se continuaria à frente da
Seleção Brasileira de Vôlei, o tricampeão olímpico José Roberto
Guimarães renovou seu contrato com a equipe feminina até 2016. A
permanência do técnico será confirmada em breve pela Confederação
Brasileira de Vôlei. Até lá serão acertados detalhes como os nomes da
comissão técnica. Em sua nova fase, Zé Roberto deverá fazer experiências
e para um trabalho de renovação no grupo. A ponta Paula Pequeno é uma
das atletas fora dos planos.

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