Trânsito “rouba” duas horas por dia do trabalhador luziense

Situação é ainda mais crítica em cidades da região metropolitana de BH, como Neves e Ibirité

De: O Tempo Cidades

Trânsito de BH e baixa opção de emprego próximo ao moradia são os grandes vilões. (Foto: Isaac Daniel/Cidade Santa Luzia)

Belo Horizonte está entre as cinco capitais brasileiras que mais
castigam a população no trajeto de casa para o trabalho, ou vice-versa. A
constatação é do Censo 2010, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, 16,6% dos
trabalhadores gastam mais de uma hora no percurso para o serviço – seja
de carro, ônibus, metrô, bicicleta ou mesmo a pé. Se considerada a volta
para casa, o tempo perdido no trânsito dobra.

A maioria dos
entrevistados (77,2%) disse demorar de seis minutos a uma hora no
trajeto. O trânsito na capital mineira só não é mais lento que o de São
Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Manaus (AM). No estudo,
foram considerados o tamanho da população, a área urbana, a densidade
populacional e as condições de mobilidade urbana. O Censo 2010 computou
não somente a população que se desloca dentro do município, mas também
aquela localizada nas regiões metropolitanas.

Se na capital a
situação é complicada, em municípios da Grande Belo Horizonte o quadro
fica ainda mais difícil. Em Ribeirão das Neves, por exemplo, que tem o
pior índice da região, 41,8% da população demora mais de uma hora para
chegar ao trabalho. O município é seguido por Ibirité (36,4%), Sarzedo
(31,6%), Santa Luzia (30,2%) e Raposos (29,1%).

O estudante de
engenharia Waslon Gonçalves Soares, 32, é um dos que sofrem com a
lentidão do trânsito. Todos os dias, ele gasta pelo menos três horas e
meia de Santa Luzia até o bairro Buritis, na região Oeste de Belo
Horizonte, onde estuda. “Poderia ir de moto, mas preciso usar minha
caminhonete para transportar material do meu trabalho, pois faço
entrega”, conta.



Após a faculdade, no período da manhã, o
estudante segue para o bairro Eldorado, em Contagem, onde trabalha, e
depois volta para casa novamente, enfrentando o horário de pico. “Quanto
mais tempo fico no trânsito, o dia se torna mais cansativo. Tenho 32
anos, mas aparento ter 40”, afirmou Soares.

De acordo com o
consultor de transporte e trânsito Osias Batista Neto, o tempo no
trânsito tem aumentado devido ao crescimento da frota, que “incha” 10%
ao ano. A capital mineira não foge à regra e hoje já conta com 1,4
milhão de veículos nas ruas. A solução apontada por Batista é melhorar o
transporte coletivo. “É preciso seduzir as pessoas a usarem o
transporte coletivo. Hoje, Belo Horizonte ainda investe timidamente com o
BRT (Ônibus de Transporte Rápido), que ainda não está sendo implantado
em toda a cidade, mas apenas nos trajetos da Copa do Mundo, o que tende a
melhorar o tráfego apenas nesses trajetos”, diz o consultor.

O
diretor de Planejamento da BHTrans, Célio Freitas, está otimista em
relação a melhorias no trânsito da capital. Segundo ele, além do BRT, o
projeto Corta Caminho, que há três anos realiza intervenções nas
principais avenidas, deve agilizar a circulação. Ele ressalta ainda a
ampliação do metrô. “É um conjunto de ações que vão dar resultado”.

Comparativo
Demora. Uberlândia, no Triângulo, tem 234,6 mil pessoas ocupadas e se
deslocando para o trabalho, sendo que 6,4% fazem por períodos superior a
uma hora. Em Contagem, que tem 234,4 mil pessoas na mesma situação, o
índice é 19,4%.